terça-feira, 10 de novembro de 2009

PREFERÊNCIAS

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

INSPIRAÇÕES

Tua presteza
Tua leveza,
Teu desinteresse pelas coisas,
Tua mão estendida, erguida, sobressaída,
Saída para um outro lado.
Ah, as coisas sonhadas!
Malditas coisas sonhadas que só possuem o lado de cá.
Reconto embevecida e com ar pesaroso,
As empreitadas de um outro.
Das coisas espremidas, esquecidas,queridas.
Não encontro um estilo, um caminho.
Sempre a pegar emprestado
Os sonhos,
As cores,
Os amores,
Os perfumes e sabores,
Dando voltas em mim mesma.
Há tantos que nascem para tanto.
Escrever?
Tantos escrevem.
Livros demais,
Palavras demais.
preciso de um espaço sem linhas,
Onde eu possa me assentar.
Tornar-me alheia a tudo.
Sinto um peso alterado.
Dou voltas e reviravoltas.
Penso como seria se não tivesse sido
E me repito
Nas expressões,
Feições, vivências dos outros.
Não quero ter uma página publicada num jornal.
Não quero um livro na prateleira.
Não quero nada.
Nem mesmo escrever o que agora escrevo.
Não é intencional.
Escapa-me.
Nasci para apreciar a arte.
Ou talvez nem isto.
Meu violão me espera aflito e quebrantado.
Minhas telas inacabadas,
Seus personagens jamais nascerão.
Tudo assim meio incompleto.
Meu jardim que só existe do lado de dentro,
Viceja num céu nublado de inspirações.
Não, isso não é meu!
Falo de uma outra que me habita.
Diferente de mim em quase tudo
E em quase nada.
Andarilha das minhas palavras.

CLUBE DA PRAIA

Em construção. Aguarde!

MEU PAI, UM CONTADOR DE HISTÓRIAS

Em construção. Aguarde!

HOMENAGEM AO MESTRE RUBEM ALVES

Em construção. Aguarde!

domingo, 8 de novembro de 2009

REFLETINDO

Será que conseguiremos nos refazer?
Somos responsáveis por nossa glória e desgraça.
Nossas mãos tecem, criam, clonam e arrasam.
E de quem são as mãos?
E de quem serão os restos?
E de quem serão as mãos despedaçadas?
E as pernas esfaceladas de quem serão?
E ainda assim resistimos!
Atônitos,
Exagerados,
Tímidos.
E o que dizer da guerra?
Kamikaze!
Vento divino que sopra levando tudo a tempo e fora de tempo.
Eu, tu, ele, nós. E saímos por aí conjugando verbos a fim de quê?
Tudo é uma sucessão repetitiva e inédita.
E as conquistas?
E as bravuras?
A roda da vida gira, e as mulheres saem da sombra de suas saias.
A ousadia!
A desventura e a desventura do existir.
O permitir-se errar e errando, refazer-se e recomeçar tudo de novo.
E tentar outra vez e mais uma vez se preciso for.
E assim, vamos escrevendo belos textos, cheios de poesia, dor, alegria.
E representamos as cenas mais belas, e as mais grotescas.
Os pés, ainda que tímidos, tocam-se por baixo da mesa.
Ser mulher na sua totalidade e inteireza, nas suas múltiplas faces e disfarces.
É certo que o baile não durará a noite toda!
Mas também, nem precisa.
Logo, logo encurtaremos as saias e afinaremos os saltos para cima dos olhos e dos olhares, para cima dos chapéus.
E bateremos o sino.
Não, não gosto de igualdades!
Abaixo as fardas!
Tudo gira na roda da vida e por muitas vezes decidimos, ou somos engolidos.
Mas ainda não é o fim!
A tesoura ainda encurtará muitas saias e almas.
As torres continuarão a se erguerem e as parabólicas a se conectarem.
E também surgirão mais cadeiras elétricas e continuaremos despedaçando de forma letal, lenta e silenciosa..
E depois de tudo isso, ainda sairemos por aí com asas de Ícaro e voaremos em direção ao cemitério de nossas almas.
Sabe de uma coisa?
Eu gosto de visitar cemitérios,
São tranquílos e calmos.
Pois se é lá que estão os meus,
Onde é mais que eu poderia querer estar?

LEITURA UM ATO DE AMOR

Minha mãe contava estórias, estórias com “E” de emoção. Ela mexia seu caldeirão e o feitiço era lançado. Não havia perguntas para conferir depois se de fato eu tinha ouvido a história e sabia qual era A personagem principal (eu era a personagem principal de todas as histórias). Havia o prazer de contar a história e o prazer de ouvir a história. E tudo ia se amolecendo por dentro, se espalhando.
A minha primeira lembrança de leitura está ligada a um ato de amor, de aconchego, de prazer. Daí em diante, não havia mais livro que me escapasse. Nem mesmo os sem capa, molhados e jogados no lixo em frente à biblioteca. Lembro bem desse. Eu ia entrar na biblioteca, mas vi esse fora dela, jogado no chão, sem capa, sem título, sem autor, sem gravuras. Mesmo assim, não resisti! Ele gritava silenciosamente e me olhava com seus olhos de páginas e letras. Corri e o trouxe para junto de mim e ele falou-me da cidade em que eu morava de uma forma poética.
Lembro bem, pois ainda posso ver suas páginas manchadas e amareladas onde estava escrito:
JUAZEIRO
Quão és bela ó cidade
Na idade primaveril
Belo será teu futuro
Forte, brilhante e grácil
Tua vida é laboriosa
Tens um futuro de amor
Teu passado foi vitória
Serás no futuro esplendor
Como aurora radiante
Calma e bela ao despertar,
Como o sol tão belo e forte
Sempre a nos iluminar
Marchas calma e varonil
Vai sempre sorrindo e cantando
O teu peito está marcado
Com o belo selo da paz.
(Estou pesquisando o autor)
O livro, não o tenho mais. Não sei quem era o autor, mas ele inscreveu-se na minha alma com rubor. Segui cultivando minha paixão. Não queria que passasse. Lia nas almofadas, nas calçadas, no galho da goiabeira. O meu gatinho me olhava e eu lhe contava as histórias. Ninguém escapava: gatos, pés de café, cavalo alado, pássaros, galinhas, pintinhos amarelos, minhas amigas da escola. Todos tinham ouvidos e mereciam ouvir e serem encantados”.

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